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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Delicadeza de um elefante



*Por Paulinha do Notas de rodapé

“Esta história não aconteceu comigo e sim com uma amiga minha. Ela estava a caminho do trabalho, naquele horário gostoso para pegar ônibus. Em um determinado ponto, algumas pessoas pediram para descer pela porta frente . Aí ficou aquela confusão: passa bilhete único para cá, gira a catraca para lá e o cobrador foi informando o motorista quem desceria:

- Vai descer uma senhora idosa!

Mais confusão.

- Vai descer uma grávida e uma idosa obesa – disse o cobrador com a delicadeza de um elefante.

Coitadinha da velhinha. Ficou super sem graça, uma vez todo mundo começou a olhar para ela e a reparar nos quilinhos a mais que habitavam seu corpinho experiente.

Tá certo, ela era gordinha. Mas acho que o cobrador poderia  ter omitido a parte obesa da história. Evitaria constrangimentos, né não?"

 *imagem blog Diário de uma Plus-Size




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Quem fala o quer, vê o que não quer...



Essa aconteceu com meu marido.

“Vocês sabem como é horário de pico no metrô. Aquele povo que te empurra pra sair, empurra pra entrar e, principalmente, empurra porque quer ficar o mais próximo possível dos bancos para aproveitar qualquer oportunidade de pousar a carcaça cansada.

Eu estava voltando de uma entrevista de emprego e o vagão estava assim, lotado. Eu estava próximo a um assento preferencial ocupado por uma senhora e um moço que tinha, no máximo, 30 anos. Enquanto o bicho pegava, ele lia seu jornalzinho, sem sequer olhar em volta.

Percebendo a falta de sensibilidade do moço, uma senhora começou a criticar a atitude aos berros. Sabe aquele tipo barraqueira, que carrega um milhão de sacolas, tem as unhas do pé pintadas de azul petroleo cintilante e seus dedos abraçam o tamanco de madeira? (nada contra, mas é um tipo comum, não?)

- Eu acho um absurdo esses jovens que não respeitam a velhice. E o pior, finge que não tá vendo que o metrô tá lotado, com um monte de gente querendo sentar. Eu trabalhei o dia todo, tô cansada, já tenho quase 50 anos e tô aqui de pé...

Enquanto a mulher tagarelava e reclamava sem parar, o moço começou a dobrar o jornal. Com uma calma de outro mundo, ele pousou as páginas do periódico em seu colo e puxou a calça para que a barra ficasse quase na altura dos joelhos. O movimento evidenciou uma parte de sua perna mecânica.

Silêncio no vagão. Algumas pessoas levaram a mão a boca para esconder o riso iminete. A barraqueira ficou instantaneamente vermelha, virou o rosto e desceu logo que o vagão parou na estação.

O moço tornou a abrir o jornal, com um sorriso maroto e satisfeito no rosto.

Por dentro, eu gargalhava. Aquela cena era, ao mesmo tempo, bizarra, constrangedora e incrivelmente educativa! É. Quem fala o quer, vê o que não quer..."