
Essa aconteceu com meu marido.
“Vocês sabem como é horário de pico no metrô. Aquele povo que te empurra pra sair, empurra pra entrar e, principalmente, empurra porque quer ficar o mais próximo possível dos bancos para aproveitar qualquer oportunidade de pousar a carcaça cansada.
Eu estava voltando de uma entrevista de emprego e o vagão estava assim, lotado. Eu estava próximo a um assento preferencial ocupado por uma senhora e um moço que tinha, no máximo, 30 anos. Enquanto o bicho pegava, ele lia seu jornalzinho, sem sequer olhar em volta.
Percebendo a falta de sensibilidade do moço, uma senhora começou a criticar a atitude aos berros. Sabe aquele tipo barraqueira, que carrega um milhão de sacolas, tem as unhas do pé pintadas de azul petroleo cintilante e seus dedos abraçam o tamanco de madeira? (nada contra, mas é um tipo comum, não?)
- Eu acho um absurdo esses jovens que não respeitam a velhice. E o pior, finge que não tá vendo que o metrô tá lotado, com um monte de gente querendo sentar. Eu trabalhei o dia todo, tô cansada, já tenho quase 50 anos e tô aqui de pé...
Enquanto a mulher tagarelava e reclamava sem parar, o moço começou a dobrar o jornal. Com uma calma de outro mundo, ele pousou as páginas do periódico em seu colo e puxou a calça para que a barra ficasse quase na altura dos joelhos. O movimento evidenciou uma parte de sua perna mecânica.
Silêncio no vagão. Algumas pessoas levaram a mão a boca para esconder o riso iminete. A barraqueira ficou instantaneamente vermelha, virou o rosto e desceu logo que o vagão parou na estação.
O moço tornou a abrir o jornal, com um sorriso maroto e satisfeito no rosto.
Por dentro, eu gargalhava. Aquela cena era, ao mesmo tempo, bizarra, constrangedora e incrivelmente educativa! É. Quem fala o quer, vê o que não quer..."